DIFERENÇAS DE SEXO NA ESCOLHA PROFISSIONAL

motivações biológicas ou culturais?

  • Tiago Veloso Neves Secretaria Municipal de Saúde

Resumo

Este estudo teve o objetivo de verificar, à luz da literatura, que fatores influenciam de maneira predominante a diferença na escolha ou ocupação profissional entre homens e mulheres, abrindo questionamento acerca da Teoria Social dos Papéis de Gênero, que define essas escolhas como sendo motivadas pela Construção Social dos Papéis de Gênero. Os principais autores utilizados durante a discussão desse tema foram Baron-Cohen (2003), Schmitt (2008), Lippa (2010), Sjoberg e Schreiner (2010) e Cahill (2014). Foram analisados vários estudos quantitativos, livros e meta-análises que investigaram qual era a distribuição, estatisticamente, das escolhas profissionais de acordo com o sexo e sobre outras preferência que são consideradas “estereotípicas”.  Foi constatado que diversos comportamentos e preferências relacionados ao gênero ou sexo são inatos e que, apesar de existir influência do meio, as diferenças de escolha entre os dois sexos se mantém nos diversos países (estudos avaliaram entre 40 e 55 países), a despeito das diferenças culturais. Portanto, a influência do meio aparenta não ser suficiente para reverter totalmente ou anular essas tendências quando se fala em grandes populações. Constatou-se ainda que, quanto mais ricos e igualitários são os países, maior é a diferença de escolha profissional entre homens e mulheres, visto que nesse contexto, o acesso à educação e o grande número de oportunidades profissionais favorece os indivíduos a optarem por atividades com as quais naturalmente se identificam.

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Fisioterapeuta 

Especialista em Ambiente Organizacional, Saúde e Ergonomia

Mestre em Ciências da Saúde

Servidor efetivo da Secretaria Municipal de Saúde de Palmas-TO

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Publicado
2018-10-14
Como Citar
NEVES, Tiago Veloso. DIFERENÇAS DE SEXO NA ESCOLHA PROFISSIONAL. Multidebates, [S.l.], v. 2, n. 2, p. 28-40, out. 2018. ISSN 2594-4568. Disponível em: <http://www.faculdadeitop.edu.br/revista/index.php/revista/article/view/89>. Acesso em: 17 nov. 2018.
Seção
Artigos